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Desafios para o uso da Realidade Virtual e Aumentada na Educação

Atualizado: 4 de jun. de 2019

A realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA) estão entre as principais tendências tecnológicas na educação, mas quais são as possíveis desvantagens e os desafios que os educadores precisam superar?


Diminuição das interações humanas


A educação tradicional é baseada na comunicação e nas conexões interpessoais. Com as tecnologias imersivas é bem diferente; é você e o software e nada mais. Isso pode prejudicar as relações entre os alunos e a comunicação humana em geral.

Para contornar esse problema, práticas imersivas podem ser alternadas com atividades sociais. Posso citar, por exemplo, o projeto EcoMobile desenvolvido pela Faculdade de Educação de Harvard, em que os alunos alternam a experiência virtual com atividades de campo.




Embora o EcoMobile não seja um projeto de realidade virtual da forma como estamos discutindo aqui, esse caso pode nos trazer insights sobre como criar uma experiências de aprendizagem híbrida com o uso de realidade virtual.


Pouca flexibilidade


Um dos diferenciais das metodologias ativas diz respeito à flexibilidade didática. Ou seja, embora o professor seja pautado por um planejamento, a dinâmica da sala pode demandar alterações e ajustes na condução da aula para atender as demandas emergentes dos aprendizes.

Numa sala de aula é possível fazer perguntas e receber respostas. Ensinar e aprender com softwares de RV e RA são experiências diferentes. Se você usa um programa específico que foi programado para funcionar exatamente da mesma maneira, não poderá fazer mais nada, exceto o que deve fazer.

Essa falta de flexibilidade pode ser uma desvantagem para a maioria dos alunos, isso porque a educação não é uma atividade rígida, ao contrário, precisa ser flexível para se adaptar às necessidades dos aprendizes.


Problemas de Funcionalidade


Como acontece com qualquer tecnologia, algo pode dar errado. Quando as coisas correm mal, a atividade de aprendizado dos alunos é prejudicada ou inviabilizada até que o problema seja resolvido. Além dessa situação ser inconveniente e contraproducente para o processo de aprendizagem, também pode envolver custos adicionais.


Desconforto


Tontura e náusea são problemas frequentemente relatados por usuários de Realidade Virtual após alguns minutos de uso. Isso acontece devido à confusão que esse tipo de tecnologia provoca no cérebro, uma vez que não há uma correspondência entre o que o corpo sente o que se vê na tela dos óculos de RV. Você pode estar fisicamente parado, mas estar caminhando em um ambiente simulado.

Esse problema deve ser considerado especialmente se você planeja longos períodos de imersão.


Custo inicial


Embora o custo das tecnologias de RV e RA tenha diminuído, o investimento inicial em hardware e desenvolvimento de conteúdos ainda pode ser alto. No entanto essa é uma questão relativa. Dependendo da finalidade, o investimento poderá ficar insignificante quando comparado ao benefício.

Equipamentos caros e sofisticados, laboratórios e expedições a qualquer tipo de local podem ser simulados por meio da RV e RA, justificando o custo inicial de desenvolvimento.


Escassez de conteúdos


Para quem deseja usar a RV e RA, seja na educação escolar ou corporativa, logo irá se deparar com o problema da falta de conteúdos educacionais que atendam às necessidades específicas de um aula ou treinamento.

Os melhores conteúdos educativos para essas tecnologias imersivas são aquele desenvolvidos sob encomenda.

Criar conteúdos de RV e RA demanda equipe com profissionais com alta qualificação técnica, como especialista na matéria a ser ensinada, designer 3D, programador, designer instrucional, entre outros. Dificilmente você irá conseguir criar simulações realistas com soluções caseiras.

Recentemente, a Adobe lançou seu novo Captivate com a função de criar ambientes de realidade virtual baseados em imagens 360º. Com custo acessível, essa pode ser uma boa porta de entrada para o mundo da realidade virtual educacional.

Falta de comprovação científica


Por serem tecnologias que estão chegando agora de modo mais abrangente nos ambientes educacionais, ainda é preciso que pesquisadores atestem seu valor para a aprendizagem. Uma revisão de estudos sobre realidade virtual feito pelo professor Jeremy Bailenson, da Universidade de Stanford, concluiu que não há muitos dados que comprovem que a realidade virtual aumente a transferência de aprendizado.

Conclusão


Creio que esses problemas serão mitigados e resolvidos a médio prazo. Como tudo na vida, a realidade virtual e aumentada têm vantagens e desvantagens. No entanto creio que chegaremos ao equilíbrio e aprenderemos a tirar o máximo de proveito das tecnologias imersivas, que seguramente representam um novo paradigma de aprendizagem, no qual os aprendizes são envolvidos com todos seus os sentidos com os objetos da aprendizagem.

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